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Edição “Serra Acima” ao
rubro e no seu máximo
nos dias 15 e 16 de
Setembro
Salvador/Penamacor/Belmonte/Manteigas/Torre
(Serra da Estrela), são
pontos sem duvida
marcados pela história,
ai, podemos encontrar um
sem numero de coisas
maravilhosas, locais sem
duvida importantes, numa
Beira Interior algo
esquecida, e
desconhecida para
muitos, locais por onde
passaram em tempos,
Godos, Mouros, Romanos,
e até Judeus, onde altas
patentes e grandes
nobres portugueses
andaram e viveram. E foi
por esses lugares
carregados de história,
que se realizou este ano
a 14ª edição de “Serra
Acima”, muitos
participantes, muita
adrenalina durante dois
dias, de todos os pontos
do país estiveram
cicloturistas, naquele
que continua a ser, o
maior desafio do
cicloturismo nacional.
Texto:
José Morais
Fotos: Helena e
José Morais
Introdução:
Salvador:
Situada nas fraldas da
serra de Penha Garcia,
entre Aranhas, do
concelho de Penamacor e
Monsanto e Penha Garcia
do concelho de
Idanha-a-Nova, Salvador
dista cerca de 12 km da
sua sede de concelho e,
na fronteira com
Espanha, situa-se a uma
distância de 7 km do rio
Bazagueda.
Inicialmente, e segundo
reza a tradição, baseada
em vestígios de antigas
povoações,
localizar-se-ia no
chamado sítio dos
Covões. Aí foram
encontradas algumas
moedas, objectos de uso
doméstico, sepulturas
escavadas na rocha e
verdadeiros vestígios de
primitivas habitações.
Uma das sepulturas
revestia-se de mármore,
apresentando no seu
interior uma lança, uma
dentadura e ainda uma
grande porção de chumbo.
Algumas canalizações, e
até uma pia baptismal em
pedra foram ainda
descobertas. A actual
povoação assenta em toda
esta raiz patrimonial.
Salvador integrou o
concelho de Monsanto,
extinto por decreto em
28 de Setembro de 1843 e
16 de Fevereiro de 1848,
data a partir da qual
passou a pertencer ao
concelho de Penamacor. O
Brasão de armas e
bandeira da Freguesia de
Salvador, Armas: Escudo
de prata, oliveira
arrancada de verde e
frutada de negro,
carregada com uma
flor-de-lis de prata,
entre duas cabras de
púrpura, a da dextra
voltada. Coroa mural de
prata de três torres.
Listel branco, com a
legenda a negro, em
maiúsculas: "Salvador
-
Penamacor".

Penamacor:
A Vila de Penamacor é
sede de concelho e de
freguesia, pertence ao
distrito de Castelo
Branco, diocese da
Guarda. O concelho de
Penamacor situa-se na
Beira Baixa e é
constituído por 12
freguesias. A norte faz
limite com o concelho do
Sabugal, a sul com a
Idanha-a-Nova, a oeste
com o Fundão e a leste
faz fronteira com a
Espanha. As origens de
Penamacor estão envoltas
na bruma dos tempos,
pouco ou quase nada se
conhecendo de seguro a
seu respeito.
Só a partir do reinado
de D. Sancho I é que a
história de Penamacor se
define com alguma
clareza. Dizem alguns
ter sido esta vila
pátria do rei Wamba, o
famoso rei dos Godos que
governou a península
desde 672 até 682. D.
Sancho I,
conquistou Penamacor aos
Mouros e reconstruiu-a.
Deu-lhe foral em 1189 e
entregou-a aos
Templários na figura do
mestre D. Gualdim Pais,
que a fortificou.

Belmonte:
Dada a sua excepcional
situação como posição
estratégica (ponto de
convergência de antigas
vias militares),
Belmonte disputou desde
cedo de um lugar
privilegiado na
organização espacial do
território. Com a
conquista romana (60
a.C.), o velho castro
lusitano, então
existente foi
transformado numa sólida
fortaleza, capaz de
servir de base à
ocupação e de apoio à
estrada que, vindo de
Mérida, cruzava o Tejo
em Alcântara,
dirigindo-se por Idanha
e Belmonte para a
Guarda. Da permanência
romana, perduram pontes,
troços de estrada e
marcos milenários, mas é
a Torre de Centum Cellas
o testemunho mais famoso
desta presença. Em 1199,
D. Sancho I deu foral à
Vila de Belmonte. D.
Dinis confirma o foral e
restaura o Castelo
Medieval. Em 18 de Abril
de 1385 D. João I dá
autonomia ao Concelho,
desligando-o do termo e
foro da Covilhã. Em
1442, D. Afonso V doa o
Castelo de Belmonte a
Fernão Cabral, pai de
Pedro Álvares Cabral. D.
Manuel I concede a 10 de
Junho de 1510, um
segundo foral mais
ampliado. Sede de
Concelho desde 1199,
data do seu primeiro
foral, só em 1898 se
constitui em definitivo
como tal, tendo até
então sofrido diversas
vicissitudes, que ora o
extinguem, ora o
restauram. Desde pelo
menos o Século XIII que
coexistem em Belmonte,
Cristãos e Judeus,
presença esta
testemunhada pela
inscrição hebraica
estudada por Samuel
Schwarz em 1925, datada
de 1297, e que segundo o
estudioso, teria
pertencido a uma
sinagoga, indicando a
existência de uma
comunidade judaica
relativamente numerosa,
tanto na Vila como nos
seus arredores. Nos dias
de hoje a
Comunidade Judaica de
Belmonte,
pratica sem quaisquer
condicionalismos a
religião hebraica,
dispondo de uma Sinagoga
e de um Cemitério.

Manteigas:
A história de Manteigas
data a épocas anteriores
à Era Cristã, sendo o
seu primeiro foral de
1188, atribuído pelo Rei
D. Sancho I. Sinais
evidentes do passado são
as Igrejas de Santa
Maria, São Pedro e da
Misericórdia, o solar da
Casa das Obras, as
tecelagens de colchas e
tapetes, em tear manual
que pode ser visto ao
vivo no Centro de
Artesanato, as típicas
casacas de pastor, as
cocharras e as
esculturas em madeira, a
latoaria e os trabalhos
em carneira ou em
granito. Outros sabores
do passado e da Serra
provam-se no cabrito
assado, no cozido à
Serrana, na feijoada,
nas trutas, nos
enchidos, no requeijão,
no queijo da Serra, nos
bolos de leite e de
Crista, ou nas cavacas e
nas queijadas.
Serra da Estrela/Torre:
Tem uma
altitude máxima de
1.993m e mínima de 300m.
Sendo o ponto mais alto
de Portugal Continental,
tornou-se num destino
turístico bastante
apreciado. As maiores
características da Serra
da Estrela são as suas
fantásticas paisagens, é
ser uma das melhores
reservas biogenéticas da
Europa (Serra da Malcata
e Penamacor) e possuir o
maior Vale Glaciar da
Europa (Zêzere em
Manteigas).
O manto
branco com que é coberto
durante parte do ano,
convida à prática de
actividades na neve tais
como escaladas no gelo,
prática de esqui e
snowboard, percursos de
Mushing e tantas outras.
Na
primavera, a Serra é um
jardim natural, coberta
por Urze e Zimbro e
tantas outras flores que
sobrevivem às
intempéries próprias da
montanha.
No Verão,
e embrenhados por
paisagens fascinantes
como as lagoas, os vales
e penhascos, as
caminhadas tornam-se, na
prática, mais procuradas
pelos muitos turistas.
Mas desportos radicais,
passeios todo-o-terreno,
voos de parapente,
subidas de bicicleta,
são também aventuras que
não deixam de apetecer.
O evento:
Em 1994 e
entre uma conversas de
amigos, nascia o que é
hoje um dos mais
importantes eventos do
cicloturismo nacional, a
subida da Serra da
Estrela, ao alto da
Torre, a mítica subida,
começou a ser sempre um
grande desafio, e ano
para ano, muitos são os
repetentes que fazem
questão de estar
presentes, alguns desde
a primeira edição, como
ainda outros, que
anualmente vão
experimentar aquela
grande aventura.
Catorze
anos depois, a edição
“Serra Acima” teve
algumas alterações, e
pela primeira vez, com
um trajecto totalmente
remodelado, a mítica
subida pela Covilhã foi
alterada, e substituída
este ano pelo lado de
Manteigas, temos de
admitir que o grau de
dificuldade em parte foi
menor, mas em
contrapartida, a beleza,
superou sem duvida o
passeio.
Salvador,
foi novamente e pelo
segundo ano consecutivo
anfitrião de mais um
início de “Serra Acima”,
a Junta de Freguesia
propôs novamente a saída
do evento, apoiando o
mesmo, com oferta de um
almoço a todos os
participantes e
acompanhantes. Também a
Câmara Municipal de
Penamacor apoiou o
mesmo, o qual pode
proporcionar a todos que
participaram, a sua
segurança, um
abastecimento, e
lembranças.
Ao apoio
de evento esteve ainda a
Câmara Municipal de
Manteigas que
proporcionou também um
abastecimento, e a
Câmara de Belmonte, que
dispôs de um pavilhão de
apoio aos participantes.
Pedalada
a pedalada:
Salvador
bem cedo começou a
receber os
participantes, no sábado
dia 15, pelas 10 horas
da manhã começaram as
chegar os primeiros,
oriundos um pouco de
todo o país, estiveram
participantes do Norte,
Centro e Sul de
Portugal, uma
participação sem duvida
muito bem representada
dos diversos pontos de
Portugal.
Após as
confirmações, e entrega
de documentação, pelas
13 horas era servido o
almoço, o convívio antes
do evento foi muito
salutar, e dava animo às
pedaladas que se
aproximavam.
A hora da
partida estava próxima,
era altura de equipar, e
dar as ultimas afinações
nas bicicletas, pelas 15
horas tudo estava
apostos, umas palavras
de agradecimento, em
especial à junta de
Freguesia, com a entrega
do diploma alusivo ao
evento, a Joaquim
Justino, Presidente da
autarquia.
Era dado
o sinal da partida, um
pequeno circuito pela
aldeia iniciavam as
pedaladas, entre
Salvador e Belmonte, as
ruas cheias aplaudiam a
passagem da caravana,
composta por cerca de
350 cicloturistas, a
qual seguiu por Aranhas,
Penamacor, Capinha,
Caria, e Belmonte, local
onde terminaram as
pedaladas do primeiro
dia, depois de cerca de
65 quilómetros
percorridos.
Foram
umas pedaladas cheias de
adrenalina, com um
trajecto regular, de
dificuldade baixa/media,
estradas muito boas,
paisagens e locais muito
agradáveis, com uma
satisfação final muito
positiva, da parte
generalizada dos
participantes.
Domingo
dia 16, o chamado dia
“D”, a subida ao alto da
Torre. Belmonte bem cedo
começou a ser invadida
pelos amantes da
bicicleta, e se no dia
anterior os mesmos eram
em número positivo,
neste dia o mesmo
aumentou, e cerca de 400
participantes preparavam
o desafio do dia.
Eram 9
horas, tudo a postos, a
partida era dada, e a
caravana iniciava os
cerca de 44 quilómetros
que separavam Belmonte
da Torre. Direitos a
Vale Formoso, Sameiro, e
Manteigas, os primeiros
25 quilómetros eram
constituídos por uma
dificuldade baixa/média.
Em Manteigas era feito
um abastecimento junto à
Câmara Municipal, após o
pequeno descanso eram
retomadas as pedaladas,
e à saída, o ponto alto
do evento era
proporcionado aos
participantes, o
andamento livre até ao
alto da Torre, os 20
longos quilómetros,
sempre a subir.

Pedalada
a pedalada, uns com
mais, outros com menos
dificuldades, os
quilómetros lá foram
sendo superados, alguns
mais desgastados, onde o
sonho de subir teve de
ficar pelo caminho, e
ser tentado noutra
altura, porem, muitos
foram os valentes que
terminaram em grande a
dura subida, e muito
dura, já que a chuva fez
das suas, e nos últimos
quilómetros finais
apareceu em força,
dificultando ainda mais
as pedaladas, as quais
mesmo assim foram
superadas pelos
verdadeiros amantes da
bicicleta, e do ciclismo
em geral.
O
comentário final:
Em todos
estes anos que tenho
acompanhado este evento,
foi talvez um dos anos
onde a satisfação dos
presentes foi mais
positiva, também, pela
primeira vez foi feito
um inquérito, o qual
brevemente será
revelado, sobre o mesmo.
As
alterações de “Serra
Acima” este ano foram
sem duvida na
generalidade muito
positivas, novos locais,
novas paisagens, novas
estradas, e acima de
tudo uma subida à Torre
algo diferente. Durante
13 anos a subida pelo
lado da Covilhã já
começava a saturar por
parte de alguns
participantes, em sua
alternativa, Manteigas
poderia fazer as
delicias de muitos, e
poderia dar ao evento
uma renovação, e trazer
mais pessoas, isso penso
que foi conseguido, e os
cerca de 400
participantes,
demonstraram o interesse
pela mudança.
Foi um
passeio sem dúvida na
generalidade muito
positivo, apesar de nem
sempre tudo poder correr
a cem por cento como
qualquer organização
deseja, os objectivos
foram concretizados, e
estou convencido de que
esta mudança foi muito
positiva, e tem pernas
para continuar, já que
existem algumas
sugestões para que em
2008, “Serra Acima”
possa voltar aquelas
paragens.

A
finalizar, de referir
que a organização do
evento esteve a cargo da
Federação Portuguesa de
Cicloturismo e
Utilizadores de
Bicicleta (FPCUB), com
um agradecimento muito
especial à Junta de
Freguesia de Salvador e
seu Presidente Sr.
Joaquim Justino, pelo
almoço oferecido e da
forma como mais um ano
acolheu todos os
participantes e seus
acompanhantes, não
esquecendo, todos as
pessoas que ajudaram a
confeccionar e a servir
os cerca de 320 almoços.
À Câmara Municipal de
Penamacor que mais uma
vez se disponibilizou
desde o inicio, na
pessoa do seu
Vice-Presidente Dr.
António Cabanas, e o Dr.
Filipe Batista, o qual
foi incansável nas
resoluções que envolve
um evento deste género.
Também um agradecimento
â Câmara de Belmonte, e
ao Dr. Mário Tomas, à
Câmara De Manteigas,
também pela sua
disponibilidade no apoio
que deu, tanto no
abastecimento, como
ainda no licenciamento,
também na pessoa do Sr.
Vice-Presidente Dr. José
Manuel Cardoso, uma peça
importante, para que
este projecto pudesse
continuar a ter o
sucesso que tem, por fim
um agradecimento à Meda,
Produtos Farmacêuticos,
por algumas lembranças
disponibilizadas.
Por fim,
a todos os
participantes, os heróis
do evento, os chamados
artistas da festa, que
sem eles nada teria
expressão, ainda o
agradecimento a este
espaço, a Super Ciclismo
on-line, que mais uma
vez este presente,
acompanhou o evento
pedalada a pedalada, e
divulgou antes e depois
um dos grandes
acontecimentos do ano
cicloturistico nacional,
por mim, ficam um até
breve, com uma promessa,
o de em 2008 cá estar
novamente, e poder dizer
tudo o que se passou em
mais uma edição de
“Serra Acima”, a sua
15ª.
Até lá,
bons passeios, boas
pedaladas.
Se quiser saber e
conhecer mais
sobre a aldeia de
Salvador, pode consultar
os links abaixo:

http://www.freg-salvador.com/
http://salvador4ever.blogs.sapo.pt/
http://salvador4ever.blogs.sapo.pt/14448.html
http://salvadorbarquinhadoiro.blogspot.com/
http://salvadorenho.blog.pt/
"As
fotos do evento"
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